Hoje em dia é duro usar essa
palavra para as coisas boas né? Que dão a ideia de algo que não vai acontecer
mais, “última”, “final”. Dificilmente estamos preparados para o fim destas
coisas boas, e isso porque não queremos que elas acabem, e normalmente, não
somos nós que damos o “Adeus”, ele, simplesmente, acontece.
Sou uma pessoa que se considera
bem envolvida no gênero de drama na mídia, acredito que já tenha assistido
quase todo o tipo, mas o que sempre funciona, e sempre machuca, é este, o do “Adeus”.
Não necessariamente por causa da separação de personagens da história, é sempre
muito pior que isso, é sempre um ressentimento com aquilo que não aconteceu. É
triste quando tudo que ainda estava para acontecer, tudo que ainda estava para
ser dito, é simplesmente interrompido, ou então, só quando esse personagem vai embora que se
descobre que há um grande débito à ele.
Esse sim é o tipo de drama mais
forte, o drama que transcende da ficção para realidade, que existe em ambas as
dimensões. Do lado do televisor o personagem sofre olhando para você, ao mesmo
tempo que você sofre, olhando para o personagem. A diferença é que na
realidade, o personagem é você mesmo, o único indivíduo que você olha, que
questiona, que realmente sente raiva.
Decepção e frustração, de não ter
conseguido fazer tudo que podia, de não ter dito tudo que podia, e agora não
pode dizer mais nada, agora é impotente diante das forças do universo, parece
uma grande piada cósmica.
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