segunda-feira, 26 de junho de 2017

A última vez


Hoje em dia é duro usar essa palavra para as coisas boas né? Que dão a ideia de algo que não vai acontecer mais, “última”, “final”. Dificilmente estamos preparados para o fim destas coisas boas, e isso porque não queremos que elas acabem, e normalmente, não somos nós que damos o “Adeus”, ele, simplesmente, acontece.

Sou uma pessoa que se considera bem envolvida no gênero de drama na mídia, acredito que já tenha assistido quase todo o tipo, mas o que sempre funciona, e sempre machuca, é este, o do “Adeus”. Não necessariamente por causa da separação de personagens da história, é sempre muito pior que isso, é sempre um ressentimento com aquilo que não aconteceu. É triste quando tudo que ainda estava para acontecer, tudo que ainda estava para ser dito, é simplesmente interrompido, ou então,  só quando esse personagem vai embora que se descobre que há um grande débito à ele.

Esse sim é o tipo de drama mais forte, o drama que transcende da ficção para realidade, que existe em ambas as dimensões. Do lado do televisor o personagem sofre olhando para você, ao mesmo tempo que você sofre, olhando para o personagem. A diferença é que na realidade, o personagem é você mesmo, o único indivíduo que você olha, que questiona, que realmente sente raiva.


Decepção e frustração, de não ter conseguido fazer tudo que podia, de não ter dito tudo que podia, e agora não pode dizer mais nada, agora é impotente diante das forças do universo, parece uma grande piada cósmica.