segunda-feira, 26 de junho de 2017

A última vez


Hoje em dia é duro usar essa palavra para as coisas boas né? Que dão a ideia de algo que não vai acontecer mais, “última”, “final”. Dificilmente estamos preparados para o fim destas coisas boas, e isso porque não queremos que elas acabem, e normalmente, não somos nós que damos o “Adeus”, ele, simplesmente, acontece.

Sou uma pessoa que se considera bem envolvida no gênero de drama na mídia, acredito que já tenha assistido quase todo o tipo, mas o que sempre funciona, e sempre machuca, é este, o do “Adeus”. Não necessariamente por causa da separação de personagens da história, é sempre muito pior que isso, é sempre um ressentimento com aquilo que não aconteceu. É triste quando tudo que ainda estava para acontecer, tudo que ainda estava para ser dito, é simplesmente interrompido, ou então,  só quando esse personagem vai embora que se descobre que há um grande débito à ele.

Esse sim é o tipo de drama mais forte, o drama que transcende da ficção para realidade, que existe em ambas as dimensões. Do lado do televisor o personagem sofre olhando para você, ao mesmo tempo que você sofre, olhando para o personagem. A diferença é que na realidade, o personagem é você mesmo, o único indivíduo que você olha, que questiona, que realmente sente raiva.


Decepção e frustração, de não ter conseguido fazer tudo que podia, de não ter dito tudo que podia, e agora não pode dizer mais nada, agora é impotente diante das forças do universo, parece uma grande piada cósmica.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

À MERDA COM “DEFINIR É LIMITAR”



O motivo de eu fazer esse texto, foi devido a minha grande frustração com perfis femininos em redes de relacionamento. Nunca parei para analisar perfis masculinos para dizer se isso é um problema apenas com mulheres, então, para ser justo, vou dizer que provavelmente é uma falha dos dois gêneros.

Para quem não sabe, é mais ou menos assim, você baixa um desses aplicativos para relacionamentos, coloca algumas fotos, escreve algumas coisas sobre você, e lá, analisando o perfil dos outros usuários, procura seu parceiro(a) “ideal”.

Na minha opinião, o problema reside na parte “escreve algumas coisas sobre você”, a maioria das pessoas simplesmente não faz ideia do que escrever ali. As vezes nem escreve, e acredita que as fotos vão fazer o trabalho sozinho. Ora, não duvido que as vezes faça, mas torna tudo mais ineficiente.

Veja só, não vou ser hipócrita e dizer que não me importo com os detalhes físicos, mas não adianta de nada a pessoa ser esteticamente atraente para mim, se não houver nenhuma informação sobre ela no perfil, já que não é só de beleza que se vive um relacionamento.

O que quero dizer, é que não basta apenas a moça ser bonita, temos que ao menos ter alguns pontos que gostamos(não necessariamente em comum) no estilo de vida para que possa realmente dar certo.

Por exemplo, eu sou alguém bem caseiro, esse negócio de sair para bares ou festinhas, mesmo que lugares reservados, não é muito minha praia. Se esse é o estilo de diversão que a outra parte curte, provavelmente já não vai dar certo.

Alguém agora pode estar berrando para me dizer, “mas isso você pode ficar sabendo depois, quando for conversar com ela”. Sim, é verdade, mas como eu disse: “...torna tudo mais ineficiente”. Não que eu seja algum tarado por tempo, ou não goste de fazer essas perguntas, o problema é que isso pode resultar em descartes desnecessários, vou explicar.

Quando a única coisa que se têm no perfil são fotos, é só isso que você têm para tentar convencer o outro de que você é um parceiro(a) ideal. Não só isso, como também suas fotos podem e vão escrever a sua descrição por você. O outro vai usar de suas fotos para imaginar qual é sua personalidade, como você realmente é, e é impossível você fazer o usuário ter a interpretação correta, já que cada um julga vai julgar as fotos de uma maneira um pouco diferente.

Antes que alguém venha com aquela frase de efeito horrível: "Quem se define, se limita", saiba que se você não se definir, os outros vão fazer isso por você, porque é assim que a sociedade funciona, porque é mais fácil, é mais eficiente. Quando Oscar Wilde escreveu “Definir é limitar”, acredite, não foi para você arranjar uma desculpa para não se descrever.

Então para finalizar, poste fotos, se descreva bem, procure acentuar coisas que você gosta de fazer, e não tenha vergonha de dizer o que você procura. Este último detalhe vou deixar para outro texto.

-L