quinta-feira, 31 de maio de 2018

Simplicidade versus Complexidade nas Relações Interpessoais


Hoje eu estava conversando sobre a vida e escutei a seguinte frase: “nossa, minhas amizades nunca foram assim”. Infelizmente isso não foi dito num sentido positivo, e sim no sentido “a forma que você lida com suas amizades é muito complicada”. Ora, pode até ser complicada, mas será que complexidade em relações é intrinsecamente ruim? Da onde isso vêm?

É fácil dar uma resposta rápida para esta pergunta:

-O quanto menos complicadas suas relações forem, você está consequentemente contribuindo para tornar sua vida menos complicada, e uma vida simples é uma vida feliz.

Tenho objeções a uma resposta assim. Uma vida simples pode se resumir a de um preso em um presídio federal. Horários fixados, rotina rígida, e ausência da liberdade. Dificilmente alguém me convenceria que isso não é uma vida “simples”, e ainda que tenha alguns que possam alegar que seja verdadeiramente uma vida feliz, não vejo como alguém pode ser feliz com a ausência quase que total de liberdade.

Podemos então ao menos concordar que a simplicidade não é um fator único para a felicidade. Agora consigo imaginar duas direções que posso guiar este texto, uma é discutir sobre possíveis fatores que levam a uma vida feliz, e outra é continuar discutindo sobre a simplicidade. Considerando a introdução deste texto ser mais sobre “complexidade versus simplicidade”, vou me ater ao segundo caminho, ainda mais que ainda não quero nem me arriscar a “ditar” regras sobre “como ter uma vida feliz’, estou longe de ter uma resposta definitiva para isto.

Bem, agora podemos ser um pouco mais incisivos, o “culto” a simplicidade é válido? Simplicidade em si é superior a complexidade? Mais uma vez vou me interromper e ter que escolher um caminho. Posso facilmente imaginar situações onde inquestionavelmente a simplicidade é superior a complexidade, e aqui defino “superioridade” como algo que traz maior satisfação para o indivíduo que enfrenta a situação. Ou seja, dada duas situações semelhantes, se uma é complexa e outra simples, qual traz maior satisfação para aquele que se encontra nela? Posso dar dois problemas que mostram que não existe uma resposta fixa para esta pergunta.

  1. Você parte de um ponto A e quer chegar até um ponto B, no caso ponto A poderia ser sua casa, e o ponto B poderia ser algum evento que você deseja muito comparecer, não existe nada mais satisfatório do que comparecer a este evento neste momento. É muito mais satisfatório para você, se para chegar ao ponto B, a rota fosse a mais simples possível, no sentido de você ter que seguir o menor número de instruções possíveis. E seria muito menos satisfatório se ao invés de só seguir uma rua, você tivesse que passar por três ruas, virar a esquerda, direita, etc.. Mesmo que o tempo de chegada fosse o mesmo.

Nesta situação fica claro a “superioridade” da simplicidade sobre a complexidade. Vamos para a segunda.

  1. Você está infeliz, e procura alguma atividade para fazer que alegre seu dia. Em uma situação simples você só tem 1 escolha de atividade, que, essencialmente lhe alegra. Em uma situação complexa você possui uma gama de atividades, que juntas trabalham para alegrar seu dia. Um apressado diria que a situação simples possui a superioridade, porém, acho que alguns podem concordar comigo, que uma gama de atividades pode, e muitas vezes traz, maior satisfação.

O problema de enxergar a “superioridade” da complexidade aqui, é que falta um toque de realidade. Na realidade, dificilmente você terá uma atividade que 100% das vezes lhe deixará satisfeito, e mesmo que exista, dificilmente esta satisfação seria igual do que uma complexidade de atividades. Ou seja, no mundo real, em algumas situações, complexidade traz mais satisfação.

Com este apelo a realidade, acho que podemos concordar que uma defesa da complexidade para algumas situações é válida, e considerando a introdução do texto, vamos discutir isso no âmbito de relacionamentos pessoais.

Acredito que depois do segundo exemplo, quando se trata de relacionamentos pessoais, a complexidade derruba a simplicidade em quase todas as situações. Claro, talvez se considerarmos o relacionamento com o padeiro da rua, que é meramente a utilidade de comprar alimentos periodicamente é melhor que seja simples, embora que ainda assim é possível imaginar situações complexas que até mesmo com o padeiro, seria benéfico na mera satisfação de adquirir alimentos, mas não estou aqui para defender isto.

Se considerarmos a complexidade e simplicidade para amizades, ora no mundo real, uma amizade simples é aquela que não investimos muito, que conversamos pouco, conhecemos pouco, confidenciamos pouco, consequentemente nos satisfaz pouco. Como um mero amigo de trabalho ou da faculdade, que de vez em quando contamos sobre o dia e fazemos algumas piadas. Já uma amizade complexa, novamente, no mundo real, é aquela que já investimos muito, que dadas vezes conversamos muito outras pouco, conhecemos muito mais, confidenciamos mais, e em bons momentos, nos satisfaz de maneiras imensuráveis.

O problema da complexidade nas amizades é este, lhe faz pensar, considerar, é difícil saber exatamente quando é bom e quando que é ruim, quando vale a pena e quando não vale mais, nos arrependemos, nos divertimos. Procura-se hoje em dia um mundo estoico de simplicidade, sem muitas emoções, sem decepções. Ninguém quer estar infeliz, e ninguém percebe que o risco de ser infeliz é necessário para um verdadeiro momento de felicidade.

É impossível fazer o exemplo deste estilo de vida, pois quando perdemos, todos enxergam nossa tristeza e criam aversão, porém dificilmente conseguem diferenciar nossa felicidade da deles. No entanto, quem já viveu das duas maneiras sabe a diferença de uma verdadeira sentimento de prazer, e um sentimento de prazer vazio.


Texto dedicado a minha amizade mais complexa, M.

~C

segunda-feira, 26 de junho de 2017

A última vez


Hoje em dia é duro usar essa palavra para as coisas boas né? Que dão a ideia de algo que não vai acontecer mais, “última”, “final”. Dificilmente estamos preparados para o fim destas coisas boas, e isso porque não queremos que elas acabem, e normalmente, não somos nós que damos o “Adeus”, ele, simplesmente, acontece.

Sou uma pessoa que se considera bem envolvida no gênero de drama na mídia, acredito que já tenha assistido quase todo o tipo, mas o que sempre funciona, e sempre machuca, é este, o do “Adeus”. Não necessariamente por causa da separação de personagens da história, é sempre muito pior que isso, é sempre um ressentimento com aquilo que não aconteceu. É triste quando tudo que ainda estava para acontecer, tudo que ainda estava para ser dito, é simplesmente interrompido, ou então,  só quando esse personagem vai embora que se descobre que há um grande débito à ele.

Esse sim é o tipo de drama mais forte, o drama que transcende da ficção para realidade, que existe em ambas as dimensões. Do lado do televisor o personagem sofre olhando para você, ao mesmo tempo que você sofre, olhando para o personagem. A diferença é que na realidade, o personagem é você mesmo, o único indivíduo que você olha, que questiona, que realmente sente raiva.


Decepção e frustração, de não ter conseguido fazer tudo que podia, de não ter dito tudo que podia, e agora não pode dizer mais nada, agora é impotente diante das forças do universo, parece uma grande piada cósmica.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

À MERDA COM “DEFINIR É LIMITAR”



O motivo de eu fazer esse texto, foi devido a minha grande frustração com perfis femininos em redes de relacionamento. Nunca parei para analisar perfis masculinos para dizer se isso é um problema apenas com mulheres, então, para ser justo, vou dizer que provavelmente é uma falha dos dois gêneros.

Para quem não sabe, é mais ou menos assim, você baixa um desses aplicativos para relacionamentos, coloca algumas fotos, escreve algumas coisas sobre você, e lá, analisando o perfil dos outros usuários, procura seu parceiro(a) “ideal”.

Na minha opinião, o problema reside na parte “escreve algumas coisas sobre você”, a maioria das pessoas simplesmente não faz ideia do que escrever ali. As vezes nem escreve, e acredita que as fotos vão fazer o trabalho sozinho. Ora, não duvido que as vezes faça, mas torna tudo mais ineficiente.

Veja só, não vou ser hipócrita e dizer que não me importo com os detalhes físicos, mas não adianta de nada a pessoa ser esteticamente atraente para mim, se não houver nenhuma informação sobre ela no perfil, já que não é só de beleza que se vive um relacionamento.

O que quero dizer, é que não basta apenas a moça ser bonita, temos que ao menos ter alguns pontos que gostamos(não necessariamente em comum) no estilo de vida para que possa realmente dar certo.

Por exemplo, eu sou alguém bem caseiro, esse negócio de sair para bares ou festinhas, mesmo que lugares reservados, não é muito minha praia. Se esse é o estilo de diversão que a outra parte curte, provavelmente já não vai dar certo.

Alguém agora pode estar berrando para me dizer, “mas isso você pode ficar sabendo depois, quando for conversar com ela”. Sim, é verdade, mas como eu disse: “...torna tudo mais ineficiente”. Não que eu seja algum tarado por tempo, ou não goste de fazer essas perguntas, o problema é que isso pode resultar em descartes desnecessários, vou explicar.

Quando a única coisa que se têm no perfil são fotos, é só isso que você têm para tentar convencer o outro de que você é um parceiro(a) ideal. Não só isso, como também suas fotos podem e vão escrever a sua descrição por você. O outro vai usar de suas fotos para imaginar qual é sua personalidade, como você realmente é, e é impossível você fazer o usuário ter a interpretação correta, já que cada um julga vai julgar as fotos de uma maneira um pouco diferente.

Antes que alguém venha com aquela frase de efeito horrível: "Quem se define, se limita", saiba que se você não se definir, os outros vão fazer isso por você, porque é assim que a sociedade funciona, porque é mais fácil, é mais eficiente. Quando Oscar Wilde escreveu “Definir é limitar”, acredite, não foi para você arranjar uma desculpa para não se descrever.

Então para finalizar, poste fotos, se descreva bem, procure acentuar coisas que você gosta de fazer, e não tenha vergonha de dizer o que você procura. Este último detalhe vou deixar para outro texto.

-L